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AC/DC (antes e depois do covid): discussões sobre screen time

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Daniela Klaiman

16/04/2020 04h00

Se você iniciou a leitura desse texto, você está nesse momento aumentando seu "screen time" comigo e eu agradeço. 😉 Mas você já ouviu falar em screen time?

Screen time é o tempo gasto em frente às telas em qualquer dispositivo como um smartphone, computador, televisão, videogames e afins. Esse conceito se tornou popular após diversos estudos mostrarem como o tempo que passamos na frente de uma tela afeta diretamente nossa saúde física e mental.  Os pesquisadores vincularam o tempo excessivo da tela à comorbidades como depressão, ansiedade, fadiga ocular e obesidade.

Segundo estudo mostrado na revista Time, os jovens que passam sete horas ou mais por dia interagindo com telas têm duas vezes mais chances de serem diagnosticados com depressão ou ansiedade do que aqueles que usam telas com moderação.

Foi pensando nisso que Apple e Google prontamente criaram para os smartphones os relatórios semanais de tempo de tela em que uma vez por semana os usuários do iPhone e Android recebem um relatório do tempo gasto no celular e seus descritivos. Além disso, a ferramenta mostra a comparação com a semana anterior e permite que o usuário defina limites de tempo de uso em qualquer aplicativo.

A indústria se mobilizou, diversos desenvolvedores criaram ferramentas de limite de uso em seus apps, games e softwares, sempre como um indicador de responsabilidade de uso e preocupação com os seus consumidores.

A norma era: não use celular por muito tempo, nem deixe que seus filhos se percam nos mundos digitais por longas horas.

DC (depois do covid): extrapole o seu screen time

Com a mudança radical de cenário, aquelas preocupações que geraram por anos uma indústria de especialistas em "dependência" de tela, estudos, livros e eventos de desintoxicação agora estão sendo repensadas diante do isolamento.

No início do mês, a Organização Mundial da Saúde incentivou oficialmente as pessoas a jogar videogames como uma maneira de fazer com que ficássemos em casa. E o Centro para Controle e Prevenção de Doenças dos EUA recomendou que as pessoas "liguem, conversem por vídeo ou permaneçam conectadas usando as mídias sociais".

Os vilões de tanto tempo estão fazendo agora o trabalho de sobrevivência do mundo todo. As crianças foram liberadas de vez o direito de uso de tablets, smartphones e computadores para terem aulas remotas ou para se entreterem, enquanto seus pais passam seu tempo em chamadas do Zoom de mais de duas horas.

Em algumas semanas de quarentena, o novo normal apresentou as telas como aliadas. Os computadores e smartphones se tornaram nosso trabalho, portal de educação, o entretenimento de toda família e principalmente a conexão com o mundo exterior e com aqueles que você ama.

A nova norma é: abuse do mundo digital para evitar o mundo real.<

Que confusão hein?! Como saber qual é o mais indicado para nós? Será que teremos danos permanentes em nossos cérebros por conta desse excesso de screen time? Será que é um excesso de screen time?

Os especialistas estão dizendo que não é hora para pensarmos em nós monitorar, estamos passando por um período transitório. A grande questão é: quanto tempo representa o "transitório"?

Sobre a Autora

Futurista formada em tecnologia e futurismo pelo TIP – Transdiciplinary Innovation Program da Universidade de Jerusalém. Expert em Consumer Behavior and Trends Research, Pós-graduada em Coolhunting & Trends pela Universidade de Barcelona e foi diretora de Planejamento e Consumer Insights da Box1824 durante 5 anos. Consultora e palestrante nas áreas de inovação, pesquisa de mercado, desenvolvimento de produtos, comportamento do consumidor e transformação digital, atua junto a grandes empresas mostrando o que elas devem fazer para sobreviver a esse novo mundo que vivemos e mudanças rápidas. Co-fundados de 2 startups: Unpark e WinWin.

Sobre o Blog

É possível analisar o futuro por 2 ângulos diferentes: aquele mais imediato, que prevê os acontecimentos dentro de 0 a 5 anos e é estudado e aprendido através do comportamento das pessoas; e outro ângulo mais longínquo, que enxerga um intervalo de tempo de 5 a 50 anos e que é totalmente baseado no desenvolvimento e uso da tecnologia. A ideia desse blog é justamente analisar os dois futuros juntos e entender como a tecnologia vai influenciar nossas vidas e como a forma como vivemos e nossos valores influenciam a tecnologia, atingindo um balanço complexo, porém em linguagem simples e quase chula, para que todos possam começar a pensar no futuro e entender que somos nós os responsáveis por construir um cenário positivo para todos. Ou não. O futuro está em nossas mãos e é um assunto urgente de ser tratado hoje.