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Em tempos de coronavírus, está cada um por si

Daniela Klaiman

05/03/2020 04h00

Unsplash

A primeira forma de agrupamento da espécie humana foram as tribos.

Nós, ainda homens das cavernas e apavorados com o mundo que era perigoso (forças da natureza e enormes predadores), entendemos que se nos juntássemos em um pequeno grupo conseguiríamos sobreviver mais facilmente.

Mas já estamos bem longe daquela realidade, as tribos foram substituídas por uma única comunidade global de aproximadamente sete bilhões de terráqueos e nela estamos todos conectados e interligados.

Estamos tão vinculados que quando uma pessoa espirra na China, o vírus rapidamente se espalha pelo resto do mundo. Quando uma bolsa cai em um país por conta da epidemia, todos os outros também sofrem os efeitos. Quando um país fecha suas fronteiras, todo o setor aéreo desmorona.

O coronavírus vem sendo vendido como uma "grande ameaça global", o enorme inimigo comum, o novo assunto que abafa todos os outros problemas e, consequentemente, um pânico se instalou. Então, enquanto você espera o Superman aparecer para salvar nossa Gotham, começa a prestar atenção na reação das grandes empresas (influenciadoras do nosso mundo atual). Elas ligaram o F!@#$%ˆ&* e o modo "salve-se quem puder!!".

Cada uma delas pensando em si, na sua tribo apenas. A maioria por alinhamento de guidelines internacionais está proibindo seus funcionários de viajar, recomendando home office, proibindo de participar de feiras e fazendo o possível para que sua pequena tribo sobreviva.

As empresas estão fechando as suas fronteiras.

Mas enquanto as empresas se protegem, os seus milhões de consumidores (o resto das pessoas do mundo) estão em risco. Essa matemática não fecha.

Outra questão grave é que essas empresas multinacionais são influenciadoras na sociedade e as pessoas, inocentemente, olham para elas como um exemplo de atitude a se tomar (como se elas soubessem e tivessem certeza de o que estão fazendo). Assim, o pânico só aumenta com essas atitudes de recolhimento e encolhimento.

Tá bom, Dani, mas o que elas poderiam fazer?

Resposta: elas deveriam se unir, fazer fundos para financiar uma descoberta mais rápida da vacina, poderiam mandar seus funcionários pararem de pensar em metas e lucro por uma semana e saírem em missões humanitárias para ajudar quem está mais afetado, fazer sprints de inovação para arranjar soluções para essa e possíveis futuras epidemias, oferecer estrutura para quem tem e quer testar soluções possíveis e muitas outras coisas. Se existe algum poder de mudança na sociedade, esse poder está na mão delas.

Elas precisam se abrir e derrubar suas fronteiras. Ser parte do todo.

Afinal o que adianta falarem tanto em PROPÓSITO, quando as atitudes mostram  que na verdade essas empresas não têm a menor ideia do que isso significa e nem de como fazer para colocá-lo em prática?

O fato é que as gigantes querem ser exponenciais enquanto não passam de tribais.

Sobre a Autora

Futurista formada em tecnologia e futurismo pelo TIP – Transdiciplinary Innovation Program da Universidade de Jerusalém. Expert em Consumer Behavior and Trends Research, Pós-graduada em Coolhunting & Trends pela Universidade de Barcelona e foi diretora de Planejamento e Consumer Insights da Box1824 durante 5 anos. Consultora e palestrante nas áreas de inovação, pesquisa de mercado, desenvolvimento de produtos, comportamento do consumidor e transformação digital, atua junto a grandes empresas mostrando o que elas devem fazer para sobreviver a esse novo mundo que vivemos e mudanças rápidas. Co-fundados de 2 startups: Unpark e WinWin.

Sobre o Blog

É possível analisar o futuro por 2 ângulos diferentes: aquele mais imediato, que prevê os acontecimentos dentro de 0 a 5 anos e é estudado e aprendido através do comportamento das pessoas; e outro ângulo mais longínquo, que enxerga um intervalo de tempo de 5 a 50 anos e que é totalmente baseado no desenvolvimento e uso da tecnologia. A ideia desse blog é justamente analisar os dois futuros juntos e entender como a tecnologia vai influenciar nossas vidas e como a forma como vivemos e nossos valores influenciam a tecnologia, atingindo um balanço complexo, porém em linguagem simples e quase chula, para que todos possam começar a pensar no futuro e entender que somos nós os responsáveis por construir um cenário positivo para todos. Ou não. O futuro está em nossas mãos e é um assunto urgente de ser tratado hoje.