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O Mundo Mudou

Avatares de carne e osso em tempos de covid-19

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Daniela Klaiman

09/04/2020 04h00

Pixabay

Antes tínhamos um mundo de opções e já que com a pandemia nos sobrou apenas ficar em casa, muitos estão incorporando uma mentalidade de: se não posso estar presente no real, me faço presente no virtual.

Uma das maneiras mais comuns de se personificar no mundo virtual é o chamado avatar.

Um avatar é um personagem que representa um usuário no mundo digital. É basicamente uma representação gráfica de você ou da personalidade que você quer ter. Assim, quando você quiser embarcar em um novo mundo, lutar contra dragões, viver uma second life ou fazer uma reunião à distância você pode mandar seu avatar no seu lugar.

Com a quarentena e as pessoas sendo obrigadas a ficarem em confinamento, os avatares têm se tornado cada vez mais comuns e novos formatos e usos estão sendo criados.

Avatar na formatura

No dia 28 de março deste ano, um grupo de estudantes japoneses da Tokyo Business Breakthrough University viralizou na internet pois não se conformou com a ideia de perder a sua formatura devido ao coronavírus e decidiram se substituir por avatares.

O avatar utilizado por eles é conhecido por Newme, uma tecnologia que utiliza robôs de telepresença em seu lugar. O corpo é substituído por um totem móvel que foi vestido de graduando e a cabeça é um tablet com o rosto do estudante. Dessa forma os estudantes acompanharam o evento remotamente e através de um chat do Zoom puderam interagir na recepção de seus diplomas.

Reprodução/ BBT University

Outro uso inesperado de avatares foi quando alunos do ensino médio de uma escola, também japonesa, coordenaram um evento de formatura dentro do jogo Minecraft. Eles recriaram os ambientes da escola dentro do jogo e todos os alunos se conectaram em seus avatares e viveram a experiência do discurso de fim de ano letivo e entrega do diploma dentro do seu próprio mundo de blocos de construção.

Avatar de carne e osso vai ao mercado

Foi nessa onda de pensar as opções para nos representar em período de coronavírus que me veio um questionamento: estamos neste momento utilizando apenas avatares digitais para nos representar?

Não seriam os Rappis, Ifoods e Loggis da vida também uma substituição de nós na hora de representar papéis na vida real? 

Getty Images

Com tantas coisas que precisamos fazer fora de casa, passamos a usar os serviços de logística quase como uma extensão de nós mesmos. Seja para entregar coisas aos familiares, para pedir supermercado, para trazer aquele almoço desejado ou ovos de Páscoa. 

Enquanto a maioria fica em casa seguro, são os "avatares de carne e osso"  que estão na rua sem proteção correndo o risco por nós.

Peço desculpas e agradeço a esses profissionais.

Sobre a Autora

Futurista formada em tecnologia e futurismo pelo TIP – Transdiciplinary Innovation Program da Universidade de Jerusalém. Expert em Consumer Behavior and Trends Research, Pós-graduada em Coolhunting & Trends pela Universidade de Barcelona e foi diretora de Planejamento e Consumer Insights da Box1824 durante 5 anos. Consultora e palestrante nas áreas de inovação, pesquisa de mercado, desenvolvimento de produtos, comportamento do consumidor e transformação digital, atua junto a grandes empresas mostrando o que elas devem fazer para sobreviver a esse novo mundo que vivemos e mudanças rápidas. Co-fundados de 2 startups: Unpark e WinWin.

Sobre o Blog

É possível analisar o futuro por 2 ângulos diferentes: aquele mais imediato, que prevê os acontecimentos dentro de 0 a 5 anos e é estudado e aprendido através do comportamento das pessoas; e outro ângulo mais longínquo, que enxerga um intervalo de tempo de 5 a 50 anos e que é totalmente baseado no desenvolvimento e uso da tecnologia. A ideia desse blog é justamente analisar os dois futuros juntos e entender como a tecnologia vai influenciar nossas vidas e como a forma como vivemos e nossos valores influenciam a tecnologia, atingindo um balanço complexo, porém em linguagem simples e quase chula, para que todos possam começar a pensar no futuro e entender que somos nós os responsáveis por construir um cenário positivo para todos. Ou não. O futuro está em nossas mãos e é um assunto urgente de ser tratado hoje.