O Mundo Mudou http://danielaklaiman.blogosfera.uol.com.br O futuro está em nossas mãos e é um assunto urgente de ser tratado hoje. Thu, 14 Nov 2019 07:00:23 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Seremos todos veganos? http://danielaklaiman.blogosfera.uol.com.br/2019/11/14/seremos-todos-veganos/ http://danielaklaiman.blogosfera.uol.com.br/2019/11/14/seremos-todos-veganos/#respond Thu, 14 Nov 2019 07:00:23 +0000 http://danielaklaiman.blogosfera.uol.com.br/?p=174

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O Brasil, junto com a China, União Européia, Estados Unidos, Canadá, Argentina, Austrália e Nova Zelândia são responsáveis por mais de 60% das emissões de gases poluentes do mundo, e eles são provenientes da indústria de carne e laticínios. Esses são dados de um estudo conduzido pela IATP e GRAIN, que me deixa concluir que, em termos per capita, um brasileiro é duas vezes mais responsável por poluir do que um cidadão africano.

Fato é que eu não gostaria de levar essa culpa, mas acho importante que ao menos tivéssemos essa consciência. Entre 2000-2013, os pastos representaram 63% da extinção de superfície do bioma Amazônico. Em 2018, o Brasil bateu o recorde de volume de exportação de carne dos últimos tempos. A JBS, principal player do mercado brasileiro, e as outras quatro maiores empresas do ramo foram responsáveis por poluir mais que a indústria petrolífera.

Enfim, tudo isso é só a ponta do iceberg. Fatores como a degradação do solo, mau uso da água, desperdício, perda de biodiversidade e crueldade animal completam parte da lista e contribuem para repensarmos o nosso consumo. 

Seremos todos veganos?

Aderindo a uma dieta vegana sem carnes e laticínios, poderíamos reduzir em 73% nossa emissão de carbono individual. É o que dizem pesquisadores da Universidade de Oxford. 

De fato, estamos em uma era em que as pessoas estão mais preocupadas com o impacto de toda sua cadeia de produção e consumo, principalmente a Geração Z. Segundo o The Economist, esse é o ano em que nos Estados Unidos o veganismo se tornou mainstream. Escolas no distrito de Los Angeles estão servindo merenda vegana, grandes redes de fast food já aderiram ao seu similar cruelty-free e ¼ dos americanos entre 25 e 34 anos se dizem veganos ou vegetarianos.  

E essa tem sido uma onda global. Países que possuem tradição em consumo de carne, como a Alemanha, França, Itáliae Espanha aparecem entre o top 10 dos países que mais lançaram produtos veganos no último ano. 

Alternativa fake

A revolução do nosso mindset de consumo alimentar é acompanhado de meios de produção inovadores. Como é o caso dos chamados plant-based burgers ou carnes vegetais, já que imitam uma carne de verdade no gosto e visual, mas que são feitas de ervilha, soja, grão de bico e outros componentes. 

A Beyond Meat, líder no mercado de carne vegetal, já está avaliada em US$ 9 bilhões e está presente em toda rede da Burger King e da KFC.

Aliás, as empresas novatas parecem estar incomodando os concorrentes, já que os americanos da indústria da carne estão brigando no mercado para que as plant-based não sejam mais chamadas de “carnes”.

Há muita gente que reclama da textura e das propriedades nutritivas questionáveis desses alimentos, mas fato é que a startup brasileira Fazenda Futuro teve 2 milhões de discos de carne vendidos e obteve 23% de market share [parcela de vendas] de todos as marcas de hambúrgueres oferecidas em um dos seus pontos de venda.

O futuro é de carne de verdade, mas sem matar vaquinhas

Não esperem por um futuro do “parece mais não é”. Os substitutos plant-based podem até estar no gosto popular mas é porque talvez ainda não ouviram os novos termos como clean meat (carne limpa) ou cultured meat (carne de cultura).

A carne limpa ou de cultura recria em laboratório, por meio de células e membranas animais, uma carne igualzinha a que consumimos hoje. Ou seja, eu vou ter uma carne de vaca sem matar nenhuma vaca. 

Hoje no mundo já são cerca de 30 empresas trabalhando para a cultura de carne de laboratório e os investimentos não tem sido poucos. A Cargill, gigante de alimentos e maior empresa do mundo de capital fechado, investiu na start-up americana Memphis Meat e israelense Aleph Farm para já garantir sua fatia nesse mercado.

Outra israelense que se destaca, a Future Meat Technologies, acaba de anunciar esse mês a construção da primeira fábrica – ou melhor, laboratório para produção em escala – o que significa que essa realidade está mais perto dos consumidores do que nunca.

Diante da oportunidade de ser mais ético e sustentável e para aqueles que nunca acreditaram ser possível aderir ao veganismo, talvez seja a hora de começar a marcar seu churrasco vegano para 2022. Vai ser indolor, prometo.

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Em um mundo hiperconectado, a solidão mata mais do que obesidade http://danielaklaiman.blogosfera.uol.com.br/2019/11/07/em-um-mundo-hiperconectado-a-solidao-mata-mais-do-que-obesidade/ http://danielaklaiman.blogosfera.uol.com.br/2019/11/07/em-um-mundo-hiperconectado-a-solidao-mata-mais-do-que-obesidade/#respond Thu, 07 Nov 2019 07:00:36 +0000 http://danielaklaiman.blogosfera.uol.com.br/?p=163

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Idosas japonesas estão cometendo furtos para serem presas.

Sim, você leu certo. Hoje nas cadeias femininas do Japão, uma em cada cinco mulheres é idosa, presa por crimes de gravidade mínima como furto de comidas ou roupas. A sociedade japonesa está passando por um surto de crimes cometidos por mulheres com mais de 65 anos.

O motivo? Elas preferem viver presas em uma penitenciária do que sozinhas em suas casas. A maioria delas não falava com os seus parentes ou sequer tinha uma família. Estavam totalmente isoladas. Na cadeia, a solidão se foi.

Estamos vivendo uma epidemia da solidão

Hoje a solidão mata mais pessoas do que a obesidade no mundo, segundo cientistas da Universidade Brigham Young nos Estados Unidos.

Vivemos em um momento no qual o isolamento social em excesso afeta o bem-estar da vida de muitas pessoas. Os efeitos do isolamento ao corpo já são comparados ao de uma pessoa que fuma 15 cigarros por dia. 

No Reino Unido, um estudo da British Red Cross apontou que mais de 9 milhões de britânicos se sentem sozinhos. Já nos Estados Unidos, a companhia Cigna identificou que quase a metade dos americanos (46%) afirmaram se sentir sozinhos às vezes ou sempre!

O isolamento não tem idade, sexo ou etnia. Apesar de associarmos a solidão a uma condição da terceira idade, são os nascidos entre meio dos anos 1990 até 2010 (Geração Z) os que se sentem mais sozinhos. 

A ironia é que, ao mesmo tempo que as redes sociais oferecem infinitas possibilidades de se conectar com outras pessoas, a solidão se tornou uma epidemia global.

Pessoas cada vez mais sozinhas na multidão

Parece estranho falar em solidão quando vivemos agrupados em cidades com milhões e milhões de habitantes. A questão é que. independentemente do tamanho da sua comunidade, do número de amigos que você tenha na rede social ou até das vezes que você vai ao bar, restaurante ou shopping, a solidão não tem a ver apenas com sair de casa ou conversar com alguém.

O que acontece é que convivemos com as pessoas nos chamados espaços de transição. Cruzamos com milhares de pessoas a cada dia, porém nem sequer trocamos olhares com elas. Precisamos do contato olho no olho e confundir sociabilidade com conectividade é um dos maiores perigos da atualidade. 

Assim entendemos que a solidão tem a ver com o pertencimento. Se você não se sente parte do seu grupo, não interage com ele, você vai se sentir sozinho.

Todos por um!

Esse problema é tão grave que já vemos surgir algumas tentativas de combater essa epidemia global de solidão. 

No início do ano passado, o Reino Unido anunciou a criação do Ministério da Solidão para criar soluções e pensar nessa doença moderna. A Alemanha, por sua vez, acabou de convocar uma comissão especial para mirar nesse tema.

As cidades mais desenvolvidas, por sua vez, estão começando a rever seus projetos urbanos construindo áreas de convívio e espaços que incentivem maior interação social. 

No futuro, as cidades e as políticas públicas, além de inteligentes, também deverão ser humanizadas.

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Tudo que você pensar em criar, já existe na natureza http://danielaklaiman.blogosfera.uol.com.br/2019/10/31/tudo-que-voce-pensar-em-criar-ja-existe-na-natureza/ http://danielaklaiman.blogosfera.uol.com.br/2019/10/31/tudo-que-voce-pensar-em-criar-ja-existe-na-natureza/#respond Thu, 31 Oct 2019 07:00:20 +0000 http://danielaklaiman.blogosfera.uol.com.br/?p=154 Sou curadora do TEDxMauá há oito anos e, em uma talk da edição deste ano, ouvi a seguinte frase da engenheira de produção Giane Brocco. “Para qualquer coisa, se fizermos a pergunta certa, a natureza terá a resposta”.

Parece um pouco demais encontrar na natureza resposta para todas as nossas dúvidas e problemas, mas esse é o conceito da chamada biomimética, uma ciência que estuda a inovação com base na natureza. E ela faz todo sentido!

Sabe aqueles braços robóticos de fábricas de carro? Novos modelos vêm sendo desenvolvidos inspirados em trombas de elefantes. As trombas possuem 40 mil músculos de alta flexibilidade, o que possibilita liberdade de movimento e versatilidade de controle e precisão. Esses braços podem impactar e muito na produtividade da indústria.

Crédito: Festo

Nos meios de transporte, temos o conhecido trem-bala no Japão, que recebeu um upgrade quando um dos engenheiros se baseou na aerodinâmica do bico do Martim-Pescador para minimizar o som alto produzido pelo transporte que viaja a 300 km/h.

Crédito: Unsplash e Flickr

E vocês? Gostariam de encontrar soluções para quê? O Biomimicry Institute (instituto de Biomimética), criou uma página que se chama asknature.org em que você pode, por meio de perguntas, buscar soluções de como poderíamos, por exemplo, distribuir recursos de maneira mais eficiente, nos proteger de ameaças ou realizar voos com menos turbulência.

Biomimética e o futuro da humanidade

Me perguntei também o que gostaria de solucionar. Acho que boa parte das pessoas, como eu, deve pensar na conjuntura política e social do mundo. Fui procurar por isso e encontrei informações não necessariamente idênticas, mas igualmente importantes: como sobreviver aos problemas que acompanham as vidas urbanas de hoje? Aglomerados urbanos, população em constante crescimento, altos níveis de poluição, lixo, fast foods, trânsito são consequências do hiperdesenvolvimento.

Segundo matéria da revista Wired de outubro deste ano, os animais, plantas e micróbios sobrevivem e têm se adaptado ao seu ambiente, não importa o quanto estejamos ou o transformemos para pior.

Pesquisadores têm observado mudanças em ratos, lagartos, pombos, morcegos ao redor do mundo, que evoluíram rapidamente diante da realidade urbana. Os animais apresentaram membranas celulares mais rígidas que podem afastar o calor, sistemas digestivos que podem absorver lixo com alto nível de açúcar, alteração em membros e torsos que aumentam a agilidade no asfalto ou em córregos de dutos poluídos.

Diante das peculiaridades da vida moderna, é triste observar que teremos que aprender com as adaptações de animais que estão em busca da sobrevivência. Enquanto os animais se ajustam ao que impomos a eles, nós tentamos aprender como nos podemos nos preparar para o futuro hostil que estamos armando para nós mesmos.

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Dilema moderno: ser humano ou ser ciborgue? http://danielaklaiman.blogosfera.uol.com.br/2019/10/24/dilema-moderno-ser-humano-ou-ser-ciborgue/ http://danielaklaiman.blogosfera.uol.com.br/2019/10/24/dilema-moderno-ser-humano-ou-ser-ciborgue/#respond Thu, 24 Oct 2019 07:00:52 +0000 http://danielaklaiman.blogosfera.uol.com.br/?p=141

Crédito: Unsplash

Na semana passada falei um pouco sobre o que é ciborgue e contei a história do Neil Harbisson. Pra quem não leu, segue o link.

E não foi que nessa última semana uma nova história cibernética ganhou destaque em vários jornais internacionais? Eis que um cientista optou por se tornar o primeiro ciborgue completo do mundo. Isto é, se tornar um ser 100% robótico!

O Dr. Peter Scott-Morgan foi diagnosticado há dois anos com a doença do neurônio motor, que afeta a fala, deglutição, movimentos do corpo, atividade muscular e até respiração. Diante do quadro de pouquíssima expectativa de vida, desafiou a ciência com o objetivo de estender a sua vida e se tornar o que ele mesmo chamou de Peter 2.0.

Por meio de cirurgias de transformação (parte de sua equipe é mesma que trabalhou com Stephen Hawking por anos), Peter terá os seus sentidos transformados em robóticos: poderá controlar seus computadores via movimentos dos olhos; terá a sua laringe retirada e sua fala armazenada em um banco de dados; por meio de um avatar, seu rosto poderá demonstrar emoções; e vai se movimentar via cadeira de rodas elétrica que o permite ficar sentado, deitado ou totalmente em pé.

Ainda assim, Peter teria suas necessidades fisiológicas afetadas. Por isso, ele passará por um processo cirúrgico para que sua alimentação seja por um tubo, com um cateter direto ligado à bexiga e uma bolsa de colostomia ao cólon.

Em seu Twitter, o Dr. Scott Morgan postou:

“ESSE É MEU ÚLTIMO POST como Peter 1.0. Amanhã eu substituo minha voz por potenciais décadas de vida, ao concluirmos o procedimento médico final para minha transição para um ciborgue completo, mês em que me disseram que estatisticamente eu estaria morto. Não estou morrendo, estou me transformando! Oh, como eu amo ciência !!!”

O avatar fala usando um mecanismo de conversão de texto em fala com uma voz gerada a partir de gravações da própria voz de Morgan e os movimentos animados são executados em uma cabeça digital gerada a partir do seu rosto. Crédito: Embody Digital.

Embora muitos venham a considerar o processo loucura, narcisismo ou uma tentativa de vencer a morte, a história de Peter 2.0 desafia o que até então entendíamos como ser humano. No caso de Neil, ser ciborgue foi uma escolha para desenvolver novos sentidos e habilidades sobre humanas. Mas e no caso de Peter, em que a utilização da tecnologia entra para prolongar sua expectativa de vida?

No futuro, todos seremos ciborgues.

Ainda que não da maneira extrema como o Dr. Scott Morgan optou, acredito que não seremos mais majoritariamente humanos do ponto de vista biológico. Por outro lado, o ser humano, como psicologia de consciência e pensamento, ainda estará em nós. Este será o momento em que questionaremos, afinal, O QUE É SER HUMANO?

Fica a reflexão.

“Aqui estou, preso apenas por causa das limitações físicas do meu corpo. Você imagina como será libertador passar talvez a maior parte do meu tempo em realidade virtual. E de repente eu posso andar novamente. Eu posso voar. Eu posso estar em qualquer lugar que eu quero estar. E você também pode. Você pode se juntar a mim. Podemos explorar universos que não existem. Isto é para todos nós. Eu só tenho a chance de ir a alguns lugares primeiro – ele termina, sorrindo. “Mas um dia você estará lá também.”
Dr. Peter Scott – Morgan em entrevista para o The Times UK
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Você sabe o que é um “transhumano”? http://danielaklaiman.blogosfera.uol.com.br/2019/10/17/nao-e-exterminador-do-futuro-o-transhumano-e-o-nosso-proximo-passo/ http://danielaklaiman.blogosfera.uol.com.br/2019/10/17/nao-e-exterminador-do-futuro-o-transhumano-e-o-nosso-proximo-passo/#respond Thu, 17 Oct 2019 07:00:40 +0000 http://danielaklaiman.blogosfera.uol.com.br/?p=125
Estamos em um constante estado de transformação. Nosso processo de evolução é na verdade um processo de coevolução, o que significa que a nossa existência é um processo codependente, influenciado pelo desenvolvimento de diferentes seres, plantas e animais.

Nós somos transespécies desde o início e essa constante transformação originou uma variedade incrível de sentidos e habilidades, como a comunicação infrassom, adaptação de cores, bioluminescência e a visão noturna.

Desde os princípios da humanidade, nós temos usado nossas habilidades para criar diferentes tecnologias que são usadas para adaptar o mundo as nossas necessidades. Nós transformamos o nosso meio ambiente através da tecnologia.

Mas isto está pra mudar. Existe uma nova e poderosa mentalidade surgindo, que irá definir o tom do futuro próximo. De agora em diante, os seres humanos estão migrando do uso da tecnologia para transformar o meio ambiente para usar na transformação do nosso corpo e mente, de modo a desenvolver novos sentidos e habilidades para melhor se adaptar ao mundo em que vivemos.

Imagine quão moderna as cidades poderiam ser se em vez de ter sido inventada a lâmpada, nós tivéssemos escolhido evoluir para ter uma visão noturna.

Um novo mundo de possibilidades estão se abrindo neste momento. Nós temos a liberdade de combinar a tecnologia e o nosso corpo, honrando as nossas transespécies originárias, se reconectando com a natureza e criando um relacionamento mais balanceado entre nós e o universo

Cyborg Foundation

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O texto acima é uma transcrição de um vídeo da Cyborg Foundation, criada em 2010 pelos artistas ativistas Neil Harbisson e Moon Ribas, com o objetivo de ajudar humanos a se tornarem ciborgues. O trabalho dos dois é incrível! Além de artistas, eles promovem a liberdade de se autodesenhar (design yourself), se desenvolver e de se tornar um transhumano!

O trabalho da Cyborg Foundation é sério. Todos os meses recebem centenas de mensagens de pessoas que escrevem para dizer que sentem a falta de algum sentido extra no seu corpo: um visão noturna, uma sensação sonora. E ainda que não tenham essas habilidades ou modificações no corpo, essas pessoas não se identificam como seres humanos!

Deixa eu explicar melhor.

Foi assim com o Neil. Ele nasceu com uma síndrome chamada Acromatopsia, em que ele não conseguia enxergar cores, o que o levou a estudar para desenvolver o seu primeiro sentido cibernético: escutar cores. Com uma antena implantada em seu crânio e conectada ao cérebro, Neil desenvolveu a habilidade especial de escutar e identificar as cores através de vibrações.

Ciborgues se inspiram na natureza e em outras espécies de seres vivos

A gente imagina um ciborgue como um Exterminador do Futuro, mas na verdade ser ciborgue é possuir uma conexão muito maior com o meio ambiente, com novos sentidos que o ser humano nunca poderia ter. Moon Ribas, por exemplo, tem implantes no corpo que permitem sentir os tremores da terra e faz coreografias de acordo com os tremores que ela sente. Hoje ela é um detector de terremotos.

Por isso, se tivéssemos mais conectados com a terra e com a natureza, poderíamos saber quando vai chover, ter um terremoto, erupção, etc…

Transcendendo fronteiras humanas

A revista “Wired” publicou no ano passado uma matéria dizendo que hoje quem mora em Nova York cruza com pelo menos cinco ciborgues ao dia, no caminho entre a sua casa e o trabalho. Isso já é uma realidade.

Estamos começando de uma maneira muito simples, com o implante de chip RFID na pele, que permite fazer coisas simples como abrir uma porta ou catraca do metrô ou fazer algum tipo de pagamento. Na Suécia, em 2018 já eram mais de 3 mil pessoas que possuíam a tecnologia RFID.

E por falar em Suécia, sabe o implante da cabeça do Neil? Foi elaborado com peças suecas e por isso ele possui uma parte do seu corpo que é de lá. Com isso, acreditem, o Neil hoje tem uma nacionalidade sueca!

Eu tive a oportunidade de conhecer o Neil e a Moon quando estiveram no Brasil em 2016 e participar da Mesa Ciborgue, um encontro com a ideia de desenhar uma nova habilidade e sentido a eles. Dali saiu o Bluetooth tooth, um sistema de comunicação bluetooth que permite aos dois conversarem apenas através de vibrações em código morse, sentidas nos dentes.

O implante foi feito no Brasil, e a tecnologia do bluetooth era provavelmente de origem chinesa como a maioria é! Então será que no futuro todos nós teremos passaporte chinês?

E vocês? Quando se tornarão ciborgues?

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Já imaginou viajar à Lua nas férias? Isso está mais perto do que parece http://danielaklaiman.blogosfera.uol.com.br/2019/10/10/ja-imaginou-viajar-a-lua-nas-ferias-isso-esta-mais-perto-do-que-parece/ http://danielaklaiman.blogosfera.uol.com.br/2019/10/10/ja-imaginou-viajar-a-lua-nas-ferias-isso-esta-mais-perto-do-que-parece/#respond Thu, 10 Oct 2019 07:00:10 +0000 http://danielaklaiman.blogosfera.uol.com.br/?p=115

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Sabe aquele antigo sonho de criança de ser astronauta e que foi trocado pela ideia de virar jogador de futebol? É bem provável que ele volte à moda.

Somos muitos e, por conta do modelo capitalista e do consumismo exagerado, estamos destruindo o planeta, acabando com recursos naturais e como consequência tornando a Terra inabitável. 

Assim, o espaço tem se tornado cada vez mais uma opção real de escapatória e recomeço para a raça humana.

Velho espaço X Novo espaço

Ok.. eu sei que está parecendo muito uma história de ficção científica, mas desde a primeira ida do homem à Lua, muita coisa mudou, entre elas o espaço e as nossas necessidades. A velha e a nova exploração espacial são completamente diferentes.

A velha compreendia a disputa entre países e seus objetivos eram basicamente pesquisa, status, poder e segurança. O espaço era um meio pouco explorado e baseado totalmente nas instituições públicas e seus interesses, com altíssimos custos e muito risco.

Hoje, a exploração espacial é totalmente diferente. Com o avanço da tecnologia, se tornou “mais barato” e de menor risco fazer missões à Lua, Marte ou viagens à órbita da Terra. Diferente –e muito– do que era, temos um modelo econômico dirigido por empreendedores e companhias privadas. O seu objetivo é simples: novos recursos e lucro.  

Passamos daquele meio pouco explorado ao desenvolvimento do que arrisco dizer ser a 6ª Revolução Industrial –o espaço como nossa ferramenta de evolução e sobrevivência. 

Negócios no espaço

Negócios no espaço mal começaram, mas já temos um mercado bilionário avaliado hoje em US$ 323 bilhões. E sei que muitos vão falar: “mas só a Nasa já movimenta metade disso”. Engano! A Nasa é responsável por apenas 13% desse montante, enquanto 11% é de outros órgãos governamentais e 76% é de empresas privadas!

O mercado privado espacial atua em diversas áreas como o turismo, colonização, bioengenharia, saúde, infraestrutura e por aí vai. 

Muito legal! Mas e aí, quais são essas empresas e negócios?

Uma delas é a Virgin Galactic, encabeçada pelo gigante empreendedor Richard Branson. Ela é uma empresa astronáutica que comercializa um voo que vai até a estratosfera e volta, e outro que dá a volta no nosso planeta azul a bordo de sua nave espacial. Pela bagatela de US$200 mil você pode ser um dos privilegiados com essa experiência.  

Ainda no território do turismo, a Bigelow Aerospace promete para 2021 a inauguração de seus primeiros hotéis espaciais. Isso sim que eu chamo de room with a view!

Musk talvez seja o cara que mais vêm impulsionando a colonização fora da Terra. Sua empresa, a SpaceX, atua hoje na entrega espacial de cargas na órbita terrestre e, das 84 missões da empresa, apenas 4 falharam –nada mal. Além disso, Musk acredita que vamos precisar morar em Marte em um futuro próximo, por isso está focado na colonização do planeta.

Outro mercado incrível é sobre experimentos de bioengenharia. A Space Pharma é uma empresa israelense que usa o espaço para fazer testes em gravidade zero de doenças, remédios, bactérias em um ambiente que os vírus se desenvolvem muito mais rápido e trazer soluções para a Terra.

A área de infraestrutura espacial tem uma das minhas empresas preferidas, a Made in Space. Ela criou uma impressora 3D que consegue imprimir objetos em gravidade zero.

Mas porque eu acho isso tão incrível? Esse processo facilita anos de logística e planejamento para construção, implementação e conserto de “qualquer coisa” no espaço. Imagina que foi detectada a necessidade de um reparo em um satélite e não os astronautas não contam com a ferramenta certa lá no espaço? A Made in Space consegue imprimir esse objeto e resolve o drama espacial.

Entenderam as zilhões de possibilidades que se abrem? Quantas novas áreas, mercados, empregos, especializações, utilidades e materiais que irão surgir desse novo e pouco explorado universo?! Esses exemplos são atuais e apenas o começo. A economia espacial já é uma realidade absolutamente incrível e isso não é nem metade do que ainda iremos acompanhar. Aos amantes de ficção científica, já valeu a espera! 

E como já dizia Buzz Lightyear: “Ao infinito e além!”.

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Em breve você será um usuário de Cannabis http://danielaklaiman.blogosfera.uol.com.br/2019/09/26/em-breve-voce-sera-um-usuario-de-cannabis/ http://danielaklaiman.blogosfera.uol.com.br/2019/09/26/em-breve-voce-sera-um-usuario-de-cannabis/#respond Thu, 26 Sep 2019 07:00:58 +0000 http://danielaklaiman.blogosfera.uol.com.br/?p=105

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Quando a gente fala em maconha, o que você pensa?

A maioria das pessoas pensa no uso de drogas, jovens ‘chapados’, hippies, Bob Marley e outras associações caricatas. Porém já há algum tempo que a maconha vem sendo ressignificada no mercado e explorada para novos propósitos.

Atualmente chamado de Cannabusiness, este é um dos mercados mais promissores do mundo e espera alcançar USD 146,4 bilhões até o final de 2025.

Legalidade

O primeiro país a legalizar a Cannabis do mundo foi latino-americano! Sim! Em 2013, o Uruguai foi o primeiro país a liberar o consumo recreacional de cannabis no mundo. Nos anos seguintes, novas legislações controlaram os números de plantações, usos medicinais, venda em farmácias e lojas especializadas e por aí vai.

Você deve estar se perguntando: mas e a Holanda, não veio primeiro? Bom, lá é diferente. O país aceita o uso pessoal e posse da cannabis desde 1976, porém limitados a posse e venda de cinco gramas por pessoa. Quanto ao cultivo? Menos de cinco plantas.

O Canadá foi o segundo país a ser legalizado (em 2018) e opera com alto controle do governo que licencia as empresas para o cultivo, processamento e venda da planta, seja para uso recreacional ou medicinal. Em menos de um ano, o país já possui mais de 230 empresas licenciadas, entre elas a Canopy Growth, a maior companhia de cannabis do mundo com mais de 3.200 funcionários e ações na NYSE – por curiosidade, as ações da Canopy Growth tiveram em três anos um salto de 2125%. Isso sim é investimento com boa rentabilidade!

Nos Estados Unidos, o país segue as leis e acordo com cada estado. Hoje já são 33 estados com diferentes licenças, sendo 30 deles liberados para uso medicinal e nove para uso recreacional. Ainda assim, a maconha é proibida pelo governo federal.

No restante do mundo, a legalização está avançada em países como Austrália, Peru, Equador, Argentina, Venezuela, Espanha, Luxemburgo, Bélgica, Portugal, Jamaica, África do Sul e Israel. Infelizmente no Brasil a realidade parece distante e o mais perto que estamos é a liberação via Anvisa para o uso medicinal caso a caso.

O marketing verde

Todos estão querendo uma fatia desse mercado promissor. O melhor meio de ganhar esse mercado é tornar o consumo de cannabis algo normal. Foi pensando nisso que Spike Jonze, famoso diretor de cinema norte-americano, criou o vídeo promocional para marca e loja Med Men. A marca é conhecida como o Starbucks da maconha e possui 25 lojas em funcionamento nos estados do Arizona, NY e Califórnia e está para abrir mais dez na Flórida. O objetivo da marca é a normalização da cannabis na rotina do consumidor americano.

Veja o video abaixo:

Não poderia ser diferente com as celebridades. Estes estão cada vez mais presentes em prol da legalização e avanço das leis nos Estados Unidos e vão além em suas participações. Entre eles estão Mike Tyson, que possui marca própria e seu acampamento de luxo para vivenciar e curtir sua plantação na California. Além disso, a melhor sociedade dos últimos tempos –Snoop Dogg se juntou a ninguém menos que Martha Stewart num empreendimento da cannabis.

Maconha por tipo de aplicação

O boom do Cannabusiness pode fazer com que pensem: estamos aumentando e legalizando o consumo de droga?! Não é isso. A cannabis deve ser melhor entendida antes de criticar.

Cannabis é o nome cientifico da planta da maconha. A maconha há anos vem sendo tratada como a erva alucinógena e que dá barato, mas isso não é a Cannabis, isso se chama THC. O THC está em algumas composições de alguns tipos da planta da Cannabis, ou seja, a maior parte dos produtos e derivados da Cannabis contém menos de 0,3% de THC e não gera nenhum efeito alucinógeno.

Para entender melhor o tipo de aplicação da Cannabis, nomeamos pelo tipo de uso.

A mais conhecida até então era a maconha recreacional, ou seja, a que contém THC, que é comprada em coffee shops em Amsterdam, a que “dá barato”. Essa representa cerca de 35% do mercado total e é esperada que na sua legalização supere o mercado de venda de tabaco.

A segunda classificação e mais popular é a cannabis medicinal –26o cannabidiol (CBD). Aqui o uso de CBD tem apresentado resultados incríveis em pacientes com câncer, dor, ansiedade, perda de apetite, processos inflamatórios, controle de crises epiléticas e outros. O CBD tem potencial de venda de USD 22 bilhões até 2022.

E a última apresentação é a cannabis com fins industriais. Os produtos adjacentes da maconha estão aparecendo com mais frequência e estão em mercados inimagináveis como energia, construção, biodiesel, têxtil, plástico.

A concorrência inesperada

A propagação dos derivados da cannabis por diversos setores está alcançando um lugar que jamais esperávamos ou tivéssemos noção que pudessem haver espaço para concorrência. O potencial da planta está bem mais próximo de nós do que imaginávamos. Um desses casos é o do plástico.

Um plástico comum leva anos para se decompor, enquanto que o plástico feito de maconha é biodegradável, possui a mesma durabilidade e leva pouquíssimo tempo para decomposição total. Já foi usado em carros, óculos e funciona perfeitamente como material para impressora 3D. Dizem por aí que o hemp-based bioplastic está a caminho de superar o mercado atual de plásticos a base de petróleo na próxima década.

Outro exemplo é no setor de construção. No futuro espero ter uma casa de maconha. Parece improvável mas não é, o hempcrete, ou concreto de maconha, já é uma realidade. Feito de uma mistura de fibras, cal e cannabis, é um bio-composto excelente como material de construção e isolamento. Funciona como um substituto para o dry wall e com maior duração do que qualquer outro material para o mesmo uso.

E não acaba aqui. A maconha, plantinha dos hippies, da marofa e ilegal, tem lugar também na indústria têxtil, no biodiesel e na fabricação de papel (principalmente papel higiênico, que evitaria o uso de 270 mil árvores por dia no mundo).

Estão entendendo que temos com a cannabis uma concorrência vinda de um mercado que muitos jamais imaginariam? E não é só isso. O mercado de cannabis vem para matar não só o mercado do plástico, do tabaco, como muitos outros!

E ai? Ainda enxerga a maconha como antes?

Em breve você também será um usuário de cannabis em vários de seus formatos.

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O mais importante evento de networking do mundo que você nunca ouviu falar http://danielaklaiman.blogosfera.uol.com.br/2019/09/19/o-mais-importante-evento-de-networking-do-mundo-que-voce-nunca-ouviu-falar/ http://danielaklaiman.blogosfera.uol.com.br/2019/09/19/o-mais-importante-evento-de-networking-do-mundo-que-voce-nunca-ouviu-falar/#respond Thu, 19 Sep 2019 07:00:48 +0000 http://danielaklaiman.blogosfera.uol.com.br/?p=76

Foto de Victor Habchy/Behance

Esse texto está recheado de fotos do Burning Man, um evento que começou em 1986 como um ritual dos amigos hippies, Larry Harvey e Jerry James, queimando um boneco de madeira (daí o nome) como um ato de livre expressão, e que vem crescendo absurdamente nos últimos anos a ponto de reunir hoje em dia mais de 70.000 pessoas a cada ano no meio do deserto, em Black Rock Desert, Nevada.

Black Rock City/Google Maps

Durante 9 dias uma cidade temporária, construída pelas mãos e colaboração dos burners (como são chamados os participantes), se forma milagrosamente. Trata-se de uma comunidade livre, seminua, dormindo em barracas e usando adornos num estilo meio Mad Max empoeirado, vagando em suas bicicletas e automóveis modificados pela the playa (outro nome dado ao deserto).

Victor Habchy/Behance

As principais morais do evento incluem valores de comunidade, liberdade de expressão, contracultura e o anticonsumismo, uma vez que o dinheiro não circula por lá. Não existem lojas, compras, comércios e tudo mais que envolva a experiência de um festival tradicional.

Quem for não encontrará ali bares patrocinados, pop-up stores, caixas, lanchonetes e nem funcionários para limpar os banheiros.

Stephen Greaves/Behance

E as atrações? São os próprios burners.

Eles se preparam meses antes para levar tudo que vão consumir, usar e precisar para construir e sobreviver no seu acampamento. Cada acampamento precisa oferecer algo para a comunidade e durante a estadia é só aproveitar as atrações e ofertas gratuitas de outros acampamentos que vão desde instalações de arte, dança, comidas, shows, massagens, festas, degustações de vinho, aulas de yoga, meditação, free hugs e o que mais você puder imaginar.

Chadi Younes/Behance

Mas vocês devem estar se perguntando porque eu estou contando isso para vocês?!

Porque o Burning Man não é apenas um festival. Ele foi eleito por diversos veículos como o evento mais importante de networking para business do mundo!

Victor Habchy/Behance

Todos os anos CEOs, criativos e empresários das principais empresas de tecnologia e comunicação são vistos em seus looks descomprometidos andando por lá. Entre eles, já passaram por lá Elon Musk, Jeff Bezos, Mark Zuckerberg e os fundadores da Google Larry Page e Sergey Brin.

Reza a lenda de que a contratação do ex-CEO do Google, Eric Schmidt, aconteceu há 18 anos em um Burning Man. Os fundadores da empresa teriam ficado entusiasmado com o fato de Eric ser um burner e o levaram para um “teste” no evento antes da contratação.

Foto de Victor Habchy / Behance

Lá o networking é poderoso, e não estou falando do velho formato de networking com trocas de cartões de visitas, roupas formais e crachá com o nome da firma pendurado no pescoço. Como passam muitos perrengues juntos, compartilham objetos, comida, drogas, shows, bicicletas e experiências loucas e lisérgicas, um laço de empatia se forma entre os participantes. De volta pra casa as experiências vividas se transformam em ideias que não teriam espaço em seu ambiente de rotina e os laços criados em negócios e parcerias comerciais.

Foto de Stephen Greaves / Behance

Após os nove dias, o festival se encerra num sábado a noite com o mesmo ritual de 1986, o burning man, onde uma escultura gigante de um homem de madeira é queimada junto com todas as outras estruturas e obras de arte instaladas no local. O lixo e pertences são recolhidos e a área volta a ser um deserto inabitado e imaculado como há dias. “O pó retorna à terra, assim como veio a ser.”

Para quem quiser a receita para criar o evento de networking perfeito, pode se inspirar nos princípios do Burning Man.

Foto de Rodrigo Esper / Behance

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10 coisas que aprendi com o modelo de inovação israelense | Parte 02 http://danielaklaiman.blogosfera.uol.com.br/2019/09/12/10-coisas-que-aprendi-com-o-modelo-de-inovacao-israelense-parte-02/ http://danielaklaiman.blogosfera.uol.com.br/2019/09/12/10-coisas-que-aprendi-com-o-modelo-de-inovacao-israelense-parte-02/#respond Thu, 12 Sep 2019 07:00:25 +0000 http://danielaklaiman.blogosfera.uol.com.br/?p=63

Na semana passada falei sobre os cinco primeiros aprendizados que obtive com a minha experiência em Israel. Em uma rápida recapitulação, posso dizer que:

10º  Pense e faça tudo como uma startup. Israel é uma startup de 70 anos, que viu em sua história a necessidade de se desenvolver e construir uma nação diante de diversas adversidades climáticas, sociais, políticas e econômicas.

9º  Inovação só acontece em um ambiente de liberdade e diversidade. Com uma cultura liberal, Israel é um país em que mulheres são a metade no exército e o casamento entre pessoas do mesmo gênero é legalizado.

8º O mundo todo pode ser o seu mercado. Israel não possui mercado interno, mas soube inovar, se desenvolver e foi através da exportação dos seus conhecimentos que se tornou uma das maiores referência do mundo em tecnologia de ponta.

7º Empreendedores mais velhos criam negócios mais sustentáveis. Os empreendedores israelenses chegam mais velhos ao mercado de trabalho e criam suas startups já com a bagagem de vida, escola e exército e tem um perfil muito diferente dos outros países.

6º Educação é o pilar que mais impulsiona a inovação. É, na maioria das vezes, nas escolas e universidades que a tecnologia é introduzida ao israelense e ali são oferecidos grandes incentivos para que os alunos criem seus próprios negócios.

Seguindo esse pensamento, vou trazer meu top 5 aprendizados que tive com o modelo de inovação israelense:

5º Investidor precisa ter coragem e apetite para risco.

Em 2018 Israel bateu o recorde de investimentos em startups no país. Foram US$6.47 bilhões investidos, que representam um aumento de 17% em relação à 2017.

Além disso, Israel possui mais de 70 empresas de investimento de capital de risco, enquanto no Brasil temos mais ou menos 25 fundos desse segmento.  

E como um mini país consegue esses números impressionantes?  

Com uma combinação entre tecnologia de ponta e altamente escalável e um número grande de investidores preparados, maduros e que tem apetite por risco. O investidor lá entende seu papel, sabe que ele precisa estar conectado com pontos de interesse da startup e que deve gerar oportunidades para sua investida.

Dessa maneira, lá acontece uma coisa totalmente impensável: muitas vezes são os investidores que correm atrás das startups para poder investir! Eles fazem o pitch para o empreendedor explicando porque ele é o investidor mais estratégico para a empresa naquele determinado estágio.

4º Inovação deve ser uma agenda do governo.

Se você quer abrir uma startup, o governo investe em você!

A presença do governo sob a inovação é muito clara. Entre um dos departamentos do ministério da economia israelense temos o chamado Israel Innovation Authority, com a missão de encorajar a inovação e empreendedorismo através da indústria da ciência e tecnologia.

Portanto, o título de Startup Nation serve não só para atrair investidores, profissionais, turistas ou interessados, mas foi percebido há tempos como um agente de transformação da economia interna do país.

Um dos programas do Israel Innovation Authority oferece contrato com uma aceleradora em troca de 20 a 50% de equity mais a cobertura de 15% dos custos em pesquisa e desenvolvimento. Os outros 85% dos custos em pesquisa e desenvolvimento é o governo que banca! Sem pegar equity! Sem contrapartida! 

Se o empreendedor se dá bem, o país é o maior beneficiado. Esse é o mindset israelense.

3º Um exército com multipropósito consegue proteger uma nação ao mesmo tempo que faz ela evoluir. 

O serviço militar é a base mais forte da sociedade israelense (já que o país vive uma guerra incessante) e é obrigatório para todo cidadão israelense. São 3 anos para os homens e 2 para as mulheres. 

E o exército lá não é brincadeira. Só para se ter uma ideia, toda semana Israel sofre ataques aéreos (bombas e mísseis vindas dos países vizinhos e Gaza). E para defender o país dessas ameaças, foi criada uma tecnologia única no mundo chamada Iron Dome ou Domo de Ferro, que conseguem interceptar no céu e abater a grande maioria das bombas antes mesmo delas atingirem o solo israelense. 

É na chamada unit 8200 que esse tipo de tecnologia é desenvolvida e a inovação é desejada. A 8200 é considerada a melhor unidade em inteligência militar e cibersegurança do mundo. 

Assim, servir ao exército lá é sinônimo de honra, aprendizados e abertura de muitas oportunidades pessoais. 

Não é a toa que os ex-alunos da unidade 8200 são disputados ao sair do exército. E aqueles que não optam por trabalhar nas grandes empresas, acabam criando suas próprias startups, como é o caso da Wix, plataforma para amadores de criação de websites profissionais, hoje avaliada em US$ 6 bilhões.

2º É necessário criar um Ecossistema de Inovação.

Todos os pilares de inovação aqui citados estão conectados: investidores, aceleradoras, universidades, empresas, exército, universidades e governo. Um ajudando ao outro, todos se complementam e apoiam. O empreendedor entra no ecossistema e vai sendo conduzido pelos próprios players para a melhor posição. O objetivo é fazer virar e não importa quem se dá bem e quando, mas que no final, todos sairão realizados. 

Talvez o maior segredo de Israel: o seu ecossistema de inovação. 

Um ecossistema protecionista em relação ao mercado. Investem em empresas que são de Israel e que vão ficar e desenvolver novos negócios em Israel, seguindo o ciclo em que receita e investimento se retroalimentam. 

Ecossistema de inovação israelense

1º  Inovações vêm de um propósito coletivo

Um país cheio de escassez, que vive em guerra e que praticamente não tem mercado interno precisa olhar para problemas globais como fonte de inspiração para criação de startups escaláveis e rentáveis.

Assim, Israel é o berço de negócios que que servem a um propósito coletivo. Como exemplo, esse ano foi impresso por lá o primeiro coração em 3D a partir de tecidos humanos. O órgão foi recriado através de células do próprio paciente e o feito abre a esperança para a realização de transplantes no futuro através das impressoras de órgãos, que já vêm sendo testadas. 

Outro case incrível é o Orasis, um colírio que foi criado para cura da perda da visão com uma gota. Ou seja, escala global e produto israelense.

É essa pra mim a parte mais bonita da Startup Nation, uma nação que caminha para um único lugar. Com o mesmo propósito. 

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10 coisas que aprendi com o modelo de inovação israelense | Parte 01 http://danielaklaiman.blogosfera.uol.com.br/2019/09/05/10-coisas-que-aprendi-com-o-modelo-de-inovacao-israelense-parte-01/ http://danielaklaiman.blogosfera.uol.com.br/2019/09/05/10-coisas-que-aprendi-com-o-modelo-de-inovacao-israelense-parte-01/#respond Thu, 05 Sep 2019 07:00:09 +0000 http://danielaklaiman.blogosfera.uol.com.br/?p=45

Startup Nation

Foi com a expressão “Start-up Nation” que Israel ficou famoso, logo após o lançamento do livro de Saul Singer, no qual o autor explora o modelo de inovação israelense.

Nele, Singer fala sobre o fenômeno de que mesmo Israel sendo um país minúsculo, com 9 milhões de habitantes (menos que a cidade de São Paulo), ter 60% do seu território desértico e viver em um constante estado de guerra, o país também é um dos maiores e mais importantes pólos de tecnologia e de nascimento de startups do mundo.

Hoje são 6.000 startups, sendo quase uma startup a cada 1.500 habitantes!

Eu estudei futurismo e tecnologia na Universidade Hebraica de Jerusalém, faço viagens de inovação com grupos de empresários e estou sempre muito próxima do ecossistema israelense e por isso, resolvi reunir nesse texto os meus 10 principais aprendizados do que faz com que um país tão pequeno, com tantas adversidades e escassez de praticamente tudo seja um case global.

10) Pense e faça tudo como uma startup

Quando pensamos em uma startup, sempre nos questionamos: qual é o problema que você ou sua empresa resolvem? Agora imaginem que o problema é a sobrevivência de uma população inteira!

No meio do deserto pessoas de diversas nacionalidades tiveram que construir uma nação. Israel é isso, um país feito por imigrantes refugiados de guerra ou sionistas, que vieram de culturas, valores e estilo de vida completamente diferentes entre si, e que foram obrigados a co-habitar e se unir para melhorar sua qualidade de vida.

Imigrantes possuem características que foram essenciais para moldar o mindset israelense: não têm nada a perder e são totalmente abertos a correr riscos. Podemos dizer então que Israel é uma startup de 70 anos de idade, que viu em sua história a necessidade de se reinventar e resolver adversidades o tempo todo.

9) Inovação só acontece em um ambiente de liberdade e diversidade

Um dos principais problemas das empresas hoje é a dificuldade em inovar e sabemos que diversidade é um dos principais pilares para inovação. Vemos hoje um grupo de profissionais que veio do mesmo lugar, com os mesmos pensamentos, raça, formações universitárias, gostos, classe social e é por isso que as empresas sentem essa grande dificuldade em inovar.

Ao contrário disso, Israel é uma terra de muitas e extremas liberdades e diversidades que refletem na forma como os israelenses vivem seu cotidiano e abraçam pontos de vista diferentes.

Um exemplo disso é que lá o exército é sim lugar de mulher. Em Israel, o serviço é obrigatório para homens e mulheres e hoje existe um equilíbrio entre seus membros: 50% de homens e 50% de mulheres que exercem as mesmas funções e correm os mesmos riscos. Lá homens e mulheres são tratados iguais; afinal, um país em guerra constante não pode se dar luxo de carregar valores ultrapassados e ainda acreditar que existe um “gênero frágil.”

O mesmo acontece no universo LGBTQA+. Israel é um dos países do mundo mais abertos a diversidade, sem dúvida nenhuma o único país aberto do Oriente Médio. A comunidade tem leis que protegem os direitos, o casamento entre pessoas do mesmo gênero é legalizado e possui uma das maiores paradas do orgulho LGBTQA+ do mundo.

Outro ponto é a cultura liberal onde, por exemplo, hoje já é permitido o uso da maconha para fins recreativos e também uso medicinal. Possui um universo grande de cannabusiness (mercado do cannabis) sendo desenvolvido e está sempre de olho em oportunidades emergentes de negócio.

8) O mundo todo pode ser o seu mercado

Israel não possui mercado interno e, por isso, precisou olhar para a sua economia de maneira global. É praticamente o oposto do que acontece no Brasil por exemplo, que possui um mercado interno imenso.

Diante das adversidades, Israel investiu em tecnologia e inovação, como maneira de atrair o mercado externo e poder exportar seus conhecimentos e se tornou um dos maiores experts e referência do mundo em tecnologia de ponta.

Hoje, o mundo todo consome a tecnologia israelense. Praticamente tudo que usamos e consumimos no nosso dia-a-dia tem tecnologia israelense embarcada. Sabe o tomate cereja? Criação israelense. Sabe o pen drive? Invenção israelense. E o Waze que você usa todos os dias? Empresa israelense.

7) Empreendedores mais velhos criam negócios mais sustentáveis

Diferente do restante do mundo, onde ao pensar em uma equipe de startup associamos a figura de vários jovens e amigos numa garagem construindo uma ideia milionária, por lá é bem diferente.

Os empreendedores têm uma trajetória diferente. Eles vão para a escola, depois servem o exército por três anos, fazem um ano sabático (para se recuperarem do período intenso imersos na guerra) e só depois que voltam entram para a faculdade, e aí quatro anos depois começam a empreender, muito mais velhos.

É comum ver em Israel pessoas com 50, 55 anos de idade fazendo pitches de startups. Muitos iniciando, mas outros já em sua segunda ou terceira empreitada. É o caso do professor Amnon Shashua e Ziv Aviram, fundadores da Mobileye (startup de carros autônomos que foi comprada pela Intel por US$ 15 bilhões), que logo após venderem a Mobileye cofundaram sua nova startup, a OrCam, que usa computer vision (visão computacional, em português) para ajudar deficientes visuais a “enxergar”.

O que podemos aprender com esse modelo é que nem sempre o momento certo é agora. A experiência de vida e segurança do empreendedor são fatores essenciais para a criação de um negócio durável.

6) Educação é o pilar que mais impulsiona a inovação

A educação é um dos principais investimentos do governo israelense, e não é para menos que país tem um dos maiores índices do mundo de formação universitária (46% da população).

Além disso, a universidade é um dos maiores impulsionadores para o empreendedorismo, já que boa parte das instituições educacionais é conectada com o mundo de inovação, startups e tecnologia, e muitas vezes a própria universidade entra com incentivos aos alunos para criarem seus negócios próprios.

Um dos exemplos mais interessantes do papel da universidade pra mim é a questão de patentes: elas registram patentes (de produtos, idéias, projetos) e depois repassam aos seus alunos para que iniciem suas startups a partir das patentes que a universidade possui.

Não é sensacional? A universidade vira sócia do aluno, que já têm um grande caminho construído, o apoio da instituição e uma chance infinitamente maior de dar certo.

Só a título de curiosidade, a Universidade Hebraica de Jerusalém, além de ter sido fundada por Albert Einstein, é uma das universidades com o maior número de patentes registradas do mundo.

Semana que vem trago a parte 2 dessa lista – os top 5 aprendizados do modelo de inovação israelense 😉

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