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Quibi, a fast fashion do conteúdo chega ao mercado

Daniela Klaiman

12/03/2020 04h00

Lançamento do Quibi na CES 2020 (Robyn Beck/AFP)

O Quibi é o novo streaming que será lançado dia 6 de abril nos Estados Unidos e que chega para inovar o mercado. Enquanto eu poderia citá-lo colocando suas características inovadoras, me chamou a atenção como o serviço desconstrói o modelo de conteúdo de streaming que temos hoje e como tudo isso está associado diretamente a um tipo de consumidor: a geração Z.

A geração Z, para quem não conhece, são os nascidos entre 1989-2010, os "novos consumidores". Tanto alarde em torno deles é porque todos querem ganhar essa fatia de jovens que acabaram de entrar no mercado de trabalho e estão definindo seus modelos de compra.

Mas o que isso tem a ver com o Quibi e o que o Quibi tem a ver com a geração Z?

A começar, o Quibi é um streaming APENAS para celular. E a geração Z é marcada por serem os primeiros consumidores a crescer totalmente na era digital. Eles são conhecedores de tecnologia e mobilidade; se comunicam principalmente por meio de mídias sociais e textos e passam tanto tempo em seus telefones quanto as gerações anteriores perdiam assistindo a televisão.

A maioria dos "Gen Z" preferem serviços de streaming ao cabo tradicional, além de preferirem conteúdos pequenos que podem receber em seus telefones e computadores. Esse é o motivo de sucesso do YouTube e TikTok. Mas seguindo a mesma linha, a Quibi implementou algo similar no seu modelo: o tempo dos episódios do streaming não ultrapassam dez minutos.


É uma "fast fashion de conteúdo", já que a Quibi terá lançamentos diários e, como se já não fosse novidade o bastante, virá com uma série que só será liberada para assistir à noite e criar aquele suspense. Mais um ponto de engajamento deles!

No momento em que todas as produtoras de conteúdo estão brigando pela escassa atenção do usuário, mantê-lo conectado através de novidades constantes é um movimento inteligente, ainda mais considerando que o tempo médio de atenção da geração Z é de apenas oito segundos.

Alguns outros detalhes complementam o produto – os modelos de assinatura custarão US$ 4,99 por mês com anúncios ou US$ 7,99 sem anúncios. A duração dos anúncios depende da duração do programa, variando de 10 a 15 segundos de conteúdo comercial e dá ao consumidor o controle sobre consumir ou não propagandas. Afinal, o tempo é seu!

Com certeza, esse novo modelo da Quibi já deve estar deixando uma série de produtores de conteúdos bastante ansiosos com o seu lançamento. Numa era de digitalização e mudanças de valores, o entendimento do consumidor é mais vital do que a marca por trás de um serviço.

A real é que já passou da hora de TV aberta, cabo e até streamings padrões entenderem que a necessidade de mudanças é contínua e que devem encontrar maneiras de fornecer aos seus espectadores o que for do seu interesse, naquele momento, e não em uma fórmula já preparada.

Sobre a Autora

Futurista formada em tecnologia e futurismo pelo TIP – Transdiciplinary Innovation Program da Universidade de Jerusalém. Expert em Consumer Behavior and Trends Research, Pós-graduada em Coolhunting & Trends pela Universidade de Barcelona e foi diretora de Planejamento e Consumer Insights da Box1824 durante 5 anos. Consultora e palestrante nas áreas de inovação, pesquisa de mercado, desenvolvimento de produtos, comportamento do consumidor e transformação digital, atua junto a grandes empresas mostrando o que elas devem fazer para sobreviver a esse novo mundo que vivemos e mudanças rápidas. Co-fundados de 2 startups: Unpark e WinWin.

Sobre o Blog

É possível analisar o futuro por 2 ângulos diferentes: aquele mais imediato, que prevê os acontecimentos dentro de 0 a 5 anos e é estudado e aprendido através do comportamento das pessoas; e outro ângulo mais longínquo, que enxerga um intervalo de tempo de 5 a 50 anos e que é totalmente baseado no desenvolvimento e uso da tecnologia. A ideia desse blog é justamente analisar os dois futuros juntos e entender como a tecnologia vai influenciar nossas vidas e como a forma como vivemos e nossos valores influenciam a tecnologia, atingindo um balanço complexo, porém em linguagem simples e quase chula, para que todos possam começar a pensar no futuro e entender que somos nós os responsáveis por construir um cenário positivo para todos. Ou não. O futuro está em nossas mãos e é um assunto urgente de ser tratado hoje.