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Batendo um papo com o seu alter ego

Daniela Klaiman

06/02/2020 04h00

Unsplash

Imagine que rolou um match com alguém no Tinder, começou um papo ótimo, vocês têm coisas em comum e combinam de se encontrar. Mas de repente a pessoa que está ali nada se parece com aquela com quem você estava conversando on-line.

Você pode ter conversado com um bot. 

Um bot é um aplicativo programado para executar determinadas tarefas que geralmente imitam ou substituem o comportamento de um usuário humano. Atualmente tem gente usando bot até para se passar por si no Tinder.

A associação mais comum que temos hoje para os bots são nos canais de atendimento à cliente e aplicativos de serviços. Todas as companhias de telefonia, por exemplo, já possuem seu bot e muitas vezes você esclarece suas dúvidas por meio de conversas digitalizadas.

Não sei para vocês, mas comigo, na maioria das vezes, as minhas perguntas ficam sem respostas. O que acontece é que casos específicos não conseguem ser atendidos por meio do bot, simplesmente porque ele não aprendeu ainda.

Quanto mais você usa, mais eles aprendem

A melhor maneira de ensinar um bot é utilizando. Como exemplo, vou contar de um aplicativo de conversação de inteligência artificial que ganhou alta popularidade em 2017, o Replika

Como o próprio nome diz, a ideia é que converse com alguém que seja igual a você. Quanto mais informações/conversas você tem com o Replika, mais ele aprende e se torna como você e mais reações iguais a que você teria ele apresenta nas conversas.

É criar alguém exatamente como você para te orientar, provocar, apresentar debates e respostas para seus dramas do dia a dia. Se você for uma pessoa irônica, seu Replika vai se comportar com o mesmo tipo de humor de você. Basicamente o seu melhor amigo ou quem sabe, pior inimigo.

É um app criado com objetivo terapêutico e de apoio psicológico e a ideia por trás dele é que ninguém te conhece melhor do que você mesmo e que inclusive você pode se surpreender com uma resposta ou conselho que recebeu do seu bot gêmeo. Ou seja, ajuda você a se conhecer melhor e se abrir.

Achou estranho? Saiba mais sobre o Replika nesse especial publicado pela QUARTZ.

Futuro do chatbot

Para os que não amam a ideia, se conformem, pois os bots seguirão existindo. Seja para serviço, atendimento, auxílio, conversa, diagnóstico ou outros, a conversação via inteligência artificial é o grande trunfo dos desenvolvedores de tecnologia e não deve desaparecer como uma moda qualquer.

A boa notícia é que eles já estão melhores, como é o caso do Meena, chatbot do Google. Essa semana eles falaram um pouco sobre o novo software e prometem que seu uso se assemelhe a uma conversação "quase humana".

A empresa baseia sua afirmação em uma nova métrica chamada de "média de sensibilidade e especificidade" (SSA, em inglês), que mede as habilidades de conversação de uma inteligência artificial. O Google avalia que a nota que um humano alcançaria seria cerca de 86% na SSA. Os outros chatbots do estudo pontuaram entre 31% e 56%. A Meena, no entanto, obteve 79% – colocando a IA mais próxima do nível de conversa esperado de um humano do que outro chatbot.

Agora juntem todas as informações que conversamos aqui e pensem: seriam apenas nossos textos, respostas e pensamentos que nos fazem quem somos?

E se um bot pode se passar por outro ou mesmo se passar por mim, vou precisar no futuro responder às minhas demandas ou até ir a uma entrevista de emprego?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Sobre a Autora

Futurista formada em tecnologia e futurismo pelo TIP – Transdiciplinary Innovation Program da Universidade de Jerusalém. Expert em Consumer Behavior and Trends Research, Pós-graduada em Coolhunting & Trends pela Universidade de Barcelona e foi diretora de Planejamento e Consumer Insights da Box1824 durante 5 anos. Consultora e palestrante nas áreas de inovação, pesquisa de mercado, desenvolvimento de produtos, comportamento do consumidor e transformação digital, atua junto a grandes empresas mostrando o que elas devem fazer para sobreviver a esse novo mundo que vivemos e mudanças rápidas. Co-fundados de 2 startups: Unpark e WinWin.

Sobre o Blog

É possível analisar o futuro por 2 ângulos diferentes: aquele mais imediato, que prevê os acontecimentos dentro de 0 a 5 anos e é estudado e aprendido através do comportamento das pessoas; e outro ângulo mais longínquo, que enxerga um intervalo de tempo de 5 a 50 anos e que é totalmente baseado no desenvolvimento e uso da tecnologia. A ideia desse blog é justamente analisar os dois futuros juntos e entender como a tecnologia vai influenciar nossas vidas e como a forma como vivemos e nossos valores influenciam a tecnologia, atingindo um balanço complexo, porém em linguagem simples e quase chula, para que todos possam começar a pensar no futuro e entender que somos nós os responsáveis por construir um cenário positivo para todos. Ou não. O futuro está em nossas mãos e é um assunto urgente de ser tratado hoje.

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