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O Mundo Mudou

Como a tecnologia acabou com a privacidade dentro da nossa própria casa

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Daniela Klaiman

19/12/2019 04h00

Imagem: Lianhao Qu/ Unsplash

As casas inteligentes estão mudando a maneira que vivemos. Seguimos a tendência de querer facilitar nossa rotina ao máximo e até a pessoa menos tecnológica que conhecemos deseja ao menos ter um smartphone, uma assistente pessoal tipo Siri, Alexa ou Google, uma smart TV, uma câmera de segurança ou qualquer aparelho que te traga mais conectividade, praticidade e segurança

Nos Estados Unidos, já são mais de um quarto da população as pessoas que possuem algum tipo de assistente virtual em casa. Na maior parte delas, a Alexa, assistente do dispositivo Amazon Echo que foi também recentemente lançada e adaptada para o mercado brasileiro.

Hiperconectividade: será que estamos no caminho certo?

Em vários aspectos a tecnologia nos oferece mais controle sobre nossa vida e daqueles que amamos: ficou mais fácil ver se o seu bebê está acordado no quarto ao lado, temos todos os nossos aplicativos de streaming conectados à TV, podemos acompanhar a segurança da casa à distância, podemos acionar a iluminação direto do celular, ligar a máquina de lavar, escolher uma trilha sonora…

Errado!

Quanto maior a nossa conectividade, maior o risco de ameaças à nossa privacidade e consequentemente a nossa segurança. Todos os novos aparelhos domésticos conectados a internet, além de gerar dados sobre nosso comportamento e interesses, nos expõem a perigos que não imaginávamos. 

Um exemplo disso aconteceu na última semana nos Estados Unidos: uma enfermeira, mãe de três filhas, comprou uma câmera de segurança para acompanhar a rotina das filhas nos dias que ela tivesse que trabalhar a noite e vejam só o que aconteceu:

Os novos espiões

Recentemente até o FBI se pronunciou sobre as privacidades hackeadas. Dessa vez os espiões são as smart TVs. Esses televisores são equipadas com microfones ou câmeras que permitem controlar o dispositivo por meio de sua voz ou fazer reconhecimento facial. 

No blog o FBI alerta: "Além do risco de que o fabricante da TV e os desenvolvedores de aplicativos possam estar ouvindo e assistindo você, essa televisão também pode ser uma porta de entrada para hackers entrarem em sua casa. Um hacker ruim pode não conseguir acessar seu computador bloqueado, mas é possível que sua TV não segura possa proporcionar uma maneira fácil … Os hackers também podem controlar sua TV, mudar de canal, brincar com o volume e exibir vídeos inadequados para seus filhos. Na pior das hipóteses, eles podem ligar a câmera e o microfone da TV do seu quarto e silenciosamente entrar em contato com você.

Enfim, essa não é a primeira vez que somos alertados diante das vulnerabilidades de segurança dos dispositivos "inteligentes". No futuro, as pessoas vão associar segurança à uma casa offline, porém provavelmente isso não será mais possível.

Sobre a Autora

Futurista formada em tecnologia e futurismo pelo TIP – Transdiciplinary Innovation Program da Universidade de Jerusalém. Expert em Consumer Behavior and Trends Research, Pós-graduada em Coolhunting & Trends pela Universidade de Barcelona e foi diretora de Planejamento e Consumer Insights da Box1824 durante 5 anos. Consultora e palestrante nas áreas de inovação, pesquisa de mercado, desenvolvimento de produtos, comportamento do consumidor e transformação digital, atua junto a grandes empresas mostrando o que elas devem fazer para sobreviver a esse novo mundo que vivemos e mudanças rápidas. Co-fundados de 2 startups: Unpark e WinWin.

Sobre o Blog

É possível analisar o futuro por 2 ângulos diferentes: aquele mais imediato, que prevê os acontecimentos dentro de 0 a 5 anos e é estudado e aprendido através do comportamento das pessoas; e outro ângulo mais longínquo, que enxerga um intervalo de tempo de 5 a 50 anos e que é totalmente baseado no desenvolvimento e uso da tecnologia. A ideia desse blog é justamente analisar os dois futuros juntos e entender como a tecnologia vai influenciar nossas vidas e como a forma como vivemos e nossos valores influenciam a tecnologia, atingindo um balanço complexo, porém em linguagem simples e quase chula, para que todos possam começar a pensar no futuro e entender que somos nós os responsáveis por construir um cenário positivo para todos. Ou não. O futuro está em nossas mãos e é um assunto urgente de ser tratado hoje.