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O Mundo Mudou

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O futuro do trabalho é feminino

Daniela Klaiman

21/11/2019 04h02

Foto: Unsplash

 

Do racional para o emocional

Desde a Pré-História a força física de um homem era dominante na sua tribo, nas suas ações e para a sobrevivência da sua espécie. Quando sentiam fome caçavam, quando sentiam frio cobriam-se com pele animal e assim por diante. Tudo muito racional e pragmático. Ao longo dos séculos, seguimos nessa racionalidade inclusive ao nos apropriarmos do uso da força para conquista de territórios, poder e batalhas. 

A partir daí a força física definiu estereótipos. O gênero masculino foi considerado superior, já que geralmente costuma ser o mais forte biologicamente. É inclusive por conta dos primeiros homo sapiens que, absurdamente, até hoje os homens são chamados de "chefe da casa", se sentam na cabeceira da mesa e ganham salários maiores.

Porém, estamos agora passando por uma mudança enorme de mentalidade em que deixamos de olhar o mundo de uma forma racional para encarar de uma maneira emocional. Foi essa mesma forma de pensar que gerou conquistas e nos fez sobreviver por tantos séculos, que também provocou muitas dores. 

Nunca houve um número tão alto de suicídios, nunca vimos tantas pessoas com ansiedade, síndrome do pânico e depressão como agora. E para curarmos as feridas da sociedade, entramos na era do emocional, em que empatia, sensibilidade, gentileza passaram a ser tão importantes. Não é à toa que muito falamos agora em hábitos como mindfulness, meditação, ioga e outros tantos.

Assim vemos um movimento natural onde os valores femininos estão substituindo os masculinos para curar as dores deixadas. E que fique claro que tudo isso vem do nosso lado feminino, que nada tem nada a ver com ser mulher, mas com valores emocionais se tornando mais importantes do que os racionais para equilibrar as necessidades dos humanos.

Quando as máquinas superam os humanos

Essa superação da racionalidade pode ser vista claramente quando olhamos para os empregos.

Temos escutado cada vez mais sobre um grande número de postos de trabalhos que serão substituídos por máquinas em breve. Inclusive, segundo previsão da Universidade de Oxford, 50% dos empregos irão desaparecer nos próximos 20 anos!

Veremos cada vez mais previsões assustadoras como essa, justamente porque estamos vivendo em um momento onde as máquinas, os robôs e a inteligência artificial estão no auge de sua capacidade. O resultado de todo o avanço tecnológico é que esses seres inanimados ultrapassaram muitas das nossas habilidades humanas: hoje eles já são muito mais rápidos em acessar e cruzar dados, em fazer contas, tem mais força física, não se cansam e não precisam descansar. 

Os cargos nas áreas industriais e de estoque, serão umas das primeiras a sumir. Telemarketing, analistas, cobradores também estão entre os primeiros dessa fila. Mas não se iluda pois todas as áreas devem ser afetadas, à exemplo do campo do Direito, em que um computador poderia julgar os casos por jurisprudência de maneira muito mais rápida que um humano. Ou um robô cirurgião, que nunca se distrai e tem precisão infinitamente maior do que a de um médico extremamente capaz. 

Assim, podemos entender que muitas das atividades mais racionais e que exigem resistência física ou analítica, provavelmente serão rapidamente substituídas por máquinas muito mais eficientes. 

O futuro de todos é feminino

Dissemos que a racionalidade e pragmatismo vem dos valores masculinos e que as máquinas irão substituir, a princípio, as tarefas que pedem mais resistência física e racionalidade, certo? 

Assim, o futuro do trabalho será completamente diferente do que foi até hoje. Se antes o mercado de trabalho priorizava os homens e lhes pagavam mais (e ainda pagam) e as profissões que eles não queriam exercer eram deixadas para as mulheres, hoje isso está mudando.

Veremos todas as profissões mais sensíveis e humanizadas emergir. A partir de agora, enfermeiras(os), professoras(es), fisioterapeutas, cuidadoras(es), massoterapeutas, psicólogas(os), parteiras(os) etc., serão as profissões bem valorizadas. Profissões que envolvam cuidados, empatia, toque e contato olho no olho, afinal, não podem ser tão facilmente substituídas por máquinas.

Você já se imaginou fazendo massagem com uma máquina? Chorar e contar seus problemas para um robô? Colocar sua mãe doente para ser cuidada por uma assistente pessoal mecânica?

A resposta é fácil!

Por isso, emocionem-se, sensibilizem-se, entrem em contato com seu lado mais humano pois os trabalhos que eram predominantemente femininos agora serão os trabalhos mais disputados, em breve. 

Sobre a Autora

Futurista formada em tecnologia e futurismo pelo TIP – Transdiciplinary Innovation Program da Universidade de Jerusalém. Expert em Consumer Behavior and Trends Research, Pós-graduada em Coolhunting & Trends pela Universidade de Barcelona e foi diretora de Planejamento e Consumer Insights da Box1824 durante 5 anos. Consultora e palestrante nas áreas de inovação, pesquisa de mercado, desenvolvimento de produtos, comportamento do consumidor e transformação digital, atua junto a grandes empresas mostrando o que elas devem fazer para sobreviver a esse novo mundo que vivemos e mudanças rápidas. Co-fundados de 2 startups: Unpark e WinWin.

Sobre o Blog

É possível analisar o futuro por 2 ângulos diferentes: aquele mais imediato, que prevê os acontecimentos dentro de 0 a 5 anos e é estudado e aprendido através do comportamento das pessoas; e outro ângulo mais longínquo, que enxerga um intervalo de tempo de 5 a 50 anos e que é totalmente baseado no desenvolvimento e uso da tecnologia. A ideia desse blog é justamente analisar os dois futuros juntos e entender como a tecnologia vai influenciar nossas vidas e como a forma como vivemos e nossos valores influenciam a tecnologia, atingindo um balanço complexo, porém em linguagem simples e quase chula, para que todos possam começar a pensar no futuro e entender que somos nós os responsáveis por construir um cenário positivo para todos. Ou não. O futuro está em nossas mãos e é um assunto urgente de ser tratado hoje.

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